Quer saber? Durante tempos fui teu abrigo, teu refúgio. Durante um pouco menos que isso, cansei das tuas carícias. Enjoei dos teus beijos. A sua nostalgia me entediou. Suas falas fizeram de mim um poço de sarcasmo e irônia. Teu olhar passou a me trazer desconfiança e teus passos pareciam me seguir. Você me enojou.
Quando encontrei nossa história manuscrita em um papel em pedaços, por alguns instantes acreditei que seria possível juntá-la. E não é que conseguimos mesmo? O que eu não pensei, e enxerguei só depois, é que fita alguma juntará devidamente pedaços sem deixar marcas.
Não foi tão rápido até eu perceber, sabe? Mas tudo pareceu tão incorreto, tão monótono e sombrio. Nossa música não tocava. Meus telefonemas não correspondidos e minhas mensagens sem sucesso. Noites mal dormidas e a sua ausência, a sua ausência... É. A sua ausência já não me encomodava como antes. Teus abraços já não eram tão calorosos. E... Eu estava cansada de me questionar o por que continuara com você, ao acordar ao teu lado na cama, e sentir meus olhos lacrimejarem, meu coração reprimir, e sentir me riscarem por dentro como se houvessem garras enormes em meu interior. Você sabe o que é isso? Não. Não sabe. Me sentia suja por pensar em quebrar promessas que um dia por nós foram feitas, e isso me angustiava.
Andando pelas ruas desertas e quentes de alguma cidade, a qual eu desconhecia, sinto meu celular velho vibrar. Surpreendo-me ao ver teu nome na tela. Entristeço-me ao sentir meu coração apertar, meu sangue correr mais rapidamente e minha vista brevemente escurecer e sem pensar duas vezes, atendi. E do outro lado da linha, em um silêncio profundo pude ouvir sua voz dizendo-me: "O que você sentiu quando me deixou?" E então, alegrei-me ao me sentir aliviada, suspirei para então responder-lhe: "Liberdade". E sem pensar duas vezes, desliguei. Lancei meu velho celular ladeira abaixo, e sorri. E todas as promessas então, foram quebradas em uma só palavra.
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