domingo, 24 de abril de 2011

Untitled.

Após altas e assustadoras trovejadas, sou despertada vagarosamente, um tanto irritada, confesso. Percebo meu corpo coberto por uma fina, porém quente manta, a qual foi rapidamente jogada para fora da cama, devido ao calor que soava-me o corpo. Ao engolir a saliva pela primeira vez depois de ter acordado, sinto um terrível gosto. Droga... Eu sabia que não devia comprar aquelas batidas baratas vendidas em qualquer esquina. O gosto de vodka ruim, misturava-se ao gosto de cigarro. Um cigarro desconhecido, por sinal, que acabei pedindo para um velho que vendia revistas pornográficas numa banca não muito conhecida. Vestígios da noite anterior começam a vir à tona. E olhe só... Com flashes, e direito a edições espetaculares. Ah! Desculpe-me. Quem precisa de irônias às quatro da manhã? Depois de longos segundos questionando-me decido tomar um banho. Levanto-me. Caminho de forma sonolenta até o banheiro, tirando em câmera lenta as poucas peças de roupa que usava e jogando-as em algum canto, sabe-se lá qual. Abri o chuveiro enquanto entrava e tratava de me sentar. A banheira que aos poucos ia enchendo, era grande demais só para mim. Só para mim... Cerrei meus olhos, sentindo a água quente tocar minha pele e as gotas escorrerem rapidamente sobre meu rosto. Abro meus olhos. Enojo-me ao notar a água com uma cor terrivelmente escura, senti-me suja. Passei uma de minhas mãos por todos os lados da banheira até encontrar uma esponja, a qual esfregava sobre minha pele com tanta força que a deixara vermelha. Dormente meu corpo estava ao perceber uma nova mudança de cor da água. Totalmente assustada, me levanto para desligar o chuveiro. Sem sucesso. Cansei de tentar fechá-lo, a quantidade de água que saia, só parecia aumentar. Transbordou. Muito. E sem lembrar-me mais de nada adormeci. Me remexo sobre a cama, e abro meus olhos. O silêncio é tanto, que posso ouvir as batidas do meu coração aceleradas. Vejo minha manta jogada ao lado da cama e rodeio-me com meu olhar. Um pouco assustada depois de um terrível pesadelo, olho no relógio e reviro meus olhos ao ver que ainda são quatro da manhã. E por dormir, ser a última coisa que conseguira pensar naquele momento, decidi tomar um banho...

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