quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Sujeito - quase - oculto.

Nas analogias da vida busca-se algo...
Uma metamorfose constante, na inconstante
mania de se fazer alvo.

Criam-se bifurcações que lhe sirvam
e me sirvam como uma válvula de escape
Um motivo para todos que se-ir-vão
dessa trilha macabra feita de trapos.

Retalhos de cetim, coloridos e bonitos
que estampam e tapam os vácuos
Alimentando e preenchendo todos os buracos
fazendo silêncio todos os gritos.

Em seguida, enxerga-te melhor perante os outros
que eles, são apenas eles... Assim como tu, nós, vós
No zoomorfismo do mundo se encontram aqueles
que não vêm, apesar de serem dotados de dois olhos.

Escolha o que deseja ser dentre as mais variadas maravilhas
faça planos, invente fugas para escapar da monotonia
Apesar de ser baixa, sinta-se grande como uma ilha
veja verdade em qualquer ironia.

Tu sabes meu amor, que de tristezas ninguém vive
de amores ninguém morre, de angústias não se alimenta.

Crie diálogos impossíveis em noites de insônia
Responda sempre com modéstia quando alguém te perguntar
"O que mais gostas em ti?". E então, ao responder sorria
"O que mais gosto em mim: mim".

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Sem título.

Nem todas as vontades, são desejos
uma vez, que uma brisa pode se tornar uma ventania
Um emaranhado de alvoroços em calmaria
a garoa em raios e trovejos

Venha. Passe despercebido
Leve contigo a minha sanidade
Já que ninguém, de amor morre
para quê fazê-lo inibido?

Nestes versos descompassados, minha vida
metódica; melódica
Minha loucura organizada de idas e vindas

Não se importe; se recorde
O tempo não dá tempo
Para que mudemos os acordes.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Words.

Meras palavras; singelas; grandes; bonitas; difíceis; corretas; assustadoras; tenebrosas; palavras profundas; sinceras; carregadas; tediosas; coloridas; intensas; escassas; curtas; compridas; sinônimas; metafóricas; violentas palavras; carinhosas; tristes; melancólicas; masoquistas; sonhadoras; inigualáveis; prestativas; incapazes; insuficientes; criativas; demonstrativas; descritivas; palavras incompletas; vazias; calmas; dolorosas; corajosas; pensantes; elaboradas; vazadas; soltas; presas; desorganizadas; limitadas palavras; ilimitadas; escuras; claras; aprisionadas; expulsas.
São apenas palavras. Palavras que se esforçam para ser um pouco mais que isso. Um pedido de ajuda; um desabafo; um grito; um abandono do orgulho. Porque é isso que – na verdade elas são. Por detrás desse conjunto de vogais e consoantes, há sentimentos vazios de uma pessoa vazia. Agora. Uma pessoa fria; intocável; inacessível. Não experimente adentrar em minhas profundezas – caso insistires nisso, traga luz para enxergar algo, nessa escuridão a qual sou resumida.
Não ouse me tocar; não tente entender.
Não te esqueças: são apenas conselhos.

4:54 AM.

São exatamente quatro e cinquenta e quatro da manhã.
Decido abrir de vez estes meus olhos inchados, após revirar-me pela cama, virar-me do avesso, e debater-me comigo em meus tenebrosos sonhos. Se é que podem ser chamados de sonhos. Hoje é um dia especial. Muito especial, por sinal. Tanto, que até rimou...
E eu devia estar dormindo. Dormir profunda e calmamente, após ouvir belas e singelas palavras, não me parece uma má ideia. Todos desejam ouvir palavras desse escalão. Ora... Garota idiota, porque diabos tu estás acordada nesta noite em que devias estar nos décimos, vigésimos, trigésimos sonhos?!
Pois é, ao contrário de tudo isso que eu poderia estar fazendo, cá está minha pessoa... Debatendo-se contra si mesma, em frente a uma tela de computador. Tal tela que separa almas tão semelhantes e diferentes ao mesmo tempo, porém, amadas entre si.
De uma forma completamente inexplicável, estou naqueles dias em que tu não suportas ver tua imagem no espelho, sabes caro leitor?! Pois bem... Dias em que teu reflexo parece tão assustador quanto você; quanto teu interior.
Trago comigo, nada mais e nada menos do que minhas dores musculares pelo corpo, após um dia cansativo. Minhas olheiras devido à companhia adorável, da senhora Insônia. E ah... Meus olhos inchados, carregados de lágrimas que ainda não foram derrubadas.
Isso é triste. Tão triste que chega a dar tristeza.
Mas, de qualquer forma, completaram-se um mês. E isso, arranca-me um sorriso inigualável.

Como você se sente?

Um poço de escuridão
Com respingos de lágrimas
por tuas bordas
Tais bordas que
nunca sentiram-se tão sujas
Garras que
arranham tuas entranhas
E fazem
assombrosos ecos de dor
Clamam
por algo ou alguém.

Mais ninguém sabe.

Apenas ele
Este poço, empoçado
de poças de lágrimas.

E você.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Try.

Preto; era tudo o que conseguia enxergar. Seus olhos quase cerrados lacrimejavam. Suas mãos suavam frio, seu corpo tremia. De fundo, tocava uma música calma, um tanto triste por sinal. “Onde estou?!” Devia estar perguntando para si mesma naquele momento. A música para e, então era possível ouvir o silêncio, de tão profundo que o mesmo se tornara. Para os lados, a anfitriã assustada olhava e, se remexia e, derrubava suas lágrimas no chão onde estava estendida. Cansada de tentar achar respostas em meio àquela escuridão, aquietou-se. Acompanhando o estridente silêncio que ali estava e, ali permanecia durante longos e irritantes minutos. Uma mão; era tudo que era possível visualizar no canto da janela que fora lentamente aberta. Alguns dedos brancos, tão brancos. Socorro! Coitada. Seus pulmões enchiam-se e esvaziavam-se de ar. Ar... Era tudo o que saia dela, enquanto, a mesma achava que gritava, esperneava, e clamava por ajuda.
“Não tenha medo”, disse uma voz distante e serena vinda de algum lugar, a qual àquela alma estendida no chão, não reconhecera. “Estou aqui para lhe ajudar”, continuou após uma breve pausa.
“Como posso não sentir medo? Como posso sair daqui? Ajude-me... Ajude-me”, sussurrava com uma fanha voz.
“Tu podes sair daí, basta achar forças dentro de si”.
“Forças dentro de mim? Diga-me o que sou. Sou apenas um corpo estendido nesse chão sujo”.
“Tu és muito mais do que pensas. És muito mais do que os outros vêm. Levante!”
Àquela alma estendida; corrompida; perdida em si, procurava tais forças; sem encontra-las. Injuriada, cerrava suas mãos e esmurrava o piso com tanta força que marcara seus dedos, e ela gritava. Gritava! Gritava mesmo, – mas não de dor, e sim, devido aquele sentimento de incapacidade que tomava conta de teu corpo, ferozmente.
Enquanto a mesma esboçava seus sentimentos de raiva, outra voz parecia soar incessantemente ao pé de seu ouvido: “Vai, você não consegue?”.
Eco. Aquela voz ecoava em sua mente, injuriando-a ainda mais. Suas veias eram visivelmente notadas em sua face; saltadas. Um líquido pastoso e vermelho escorria lentamente das mãos que se colidiam com o piso. Outro líquido – que devia ser incolor, mas agora, preto estava devido à maquiagem que a mesma usava; escorria pelo seu rosto. Tal rosto jovial. Tão jovem e, já tão consciente de acontecimentos que para ela, eram inexistentes.
N’um ligeiro salto ela via-se levantar, mas não, dificultosamente ela se levantava, primeiramente apoiava as mãos – as quais latejavam. Depois os joelhos, e assim sucessivamente, até colocar-se de pé. Colocar-se de pé em frente ao teu inimigo; a escuridão. Assustada a moça olhava para todos os lados, sem nada enxergar. E ela, apoiada n’uma das paredes do local, dizia repetidamente: “Apareça! Tire-me daqui. Como faço para sair? Eu consegui levantar!”. A voz inicial, respondia n’um tom de sussurro, parecia tão próximo. Era assombrosa a forma como essas vozes a confundiam, e, ao mesmo tempo a aliviavam.
“Tu conseguistes levantar, garota. Não dê ouvido a quaisquer outra voz que lhe apareça, insignificante elas são. Tu saberás distinguir quais são a teu favor. Agora, sinta-se cega nessa vasta escuridão que estás rodeada, caminhe por entre suas entranhas. Teça teus próprios passos, cuidadosamente. Creio que encontrarás teu caminho e, sentir-se-á glorificada.”
E assim ela o fez. Apenas.

Sábado com cara de domingo.

Levanto-me preguiçosamente, encorajando-me para mais um dia. Questiono meu próprio ser o motivo de todos os dias serem um recomeço e, não uma continuação, ou um fim – Como n’um livro, cuja venda foi temporariamente proibida por conter conteúdos impróprios e esdrúxulos. Palavras certamente desconhecidas e estranhas, manias irrevogáveis, uma trilha sonora macabra e personagens assombrosos. É disso que minha vida se trata. Inúteis, porém, fortes conjuntos de frases escritas a lápis e, ainda assim, repletos de erros e borrões.
Vejo fotos, relembro fatos. Dirijo meus sonolentos olhos castanho-claros para o céu, ele está imundo e acinzentado. Forma e deforma abstrato, porém, reconhecível desenho como se fosse quebra-cabeça, encaixando-se perfeita e ironicamente neste emaranhado de palavras que aqui redijo.
Esta música. Esta canção. Esta melodia. Já posso começar a te odiar antes que seja tarde demais, eu suponho. Caso contrário, toda a raiva será pouca. Acredite.
Olhar para a imensidão deste céu sujo, reparar atenciosamente nos desenhos que pelas nuvens são formosamente formados. Algo que acabara de vibrar levara o encanto e destruíra o esboço do sorriso que estava para aparecer em meus lábios vermelhos e um tanto machucados. Sorriso! Sorriso mesmo. Não apenas mostrar os dentes.
Dois dias atrás se passou um ano e, por alguns segundos – um tanto demorados, eu diria, desejei que tivesse passado um dia, ao invés de um ano.
Há quando tempo eu estive presa neste pesadelo? Perdi-me em todas as minhas tentativas de despertar. Findando sempre embrulhada em meu edredom azul com detalhes brancos, com a cabeça sendo cuidadosamente esmagada por meus dois travesseiros, sendo – sem pressa, sufocada. E, de forma terrivelmente assustadora, permitindo isso.
Isso não deveria ser tão complicado. Não, mesmo. Somos autores disso que chamamos de vida, somos nós que decidimos o rumo o qual ela vai tomar. Os personagens principais, além de mim. Mas, devo deixar o orgulho n’uma das gavetas em mim existentes e, enfim confessar, que anda sendo uma tarefa um tanto difícil escolher os componentes dessa história. Desse enigma, que nem ao menos eu sou capaz de desvendar. Quem dirá os outros.
Minha retina, antes cansada encontra-se úmida. Será possível! Meus olhos lacrimejam e, então os reviro para não deixar que essas malditas lágrimas caíssem e borrassem o que tento redigir aqui. Porque é isso que elas sempre findam por fazer. Cair. Borrar. Transformar em desastrosos borrões, tudo aquilo que costumo guardar em mim. Aqui dentro. Ou melhor, lá dentro. N’um buraco profundo e escuro escondido nas entranhas de meu coração, de meus pulmões, de meu cérebro. Dos principais órgãos vitais, que por sua vez, parecem ter flagelos que os fazem movimentar-se e como nômades, habitar cada sombria parte as quais eu me resumo. Sou incompleta e despedaçada, sou um quebra-cabeça de mil e poucas peças quase impossível de ser montado.
– Sorria garota. Sorria!
Acendam as luzes, pois, eu tenho medo de escuro. Inimigos ocultos resolvem aparecer, enfim, depois de tantos escassos e inconscientes pedidos feitos por mim. Apenas os queria conhecer, pelo que vejo o desejo era recíproco.
A fumaça que sai se transforma visivelmente em faces irreconhecíveis. Todos os rostos parecem estranhos quando não é o teu. Sinto-me vazia – para variar, por não reconhecer tua face. Aliás, por sentir falta, clamar e enlouquecer por algo que nunca, a mim pertenceu.
Apareça! Apareça! Apareça!
Transforme-se naquilo que eu desejo ver. Venha para ficar. Venha e, caso resolveres ir, leve consigo qualquer vestígio de lembranças, lágrimas. E não pense em aterrorizar-me em minhas famosas e adoráveis noites de insônia. Estarei só. Aliás, não tão só. Eu. O papel. Um lápis e uma migalha que eu ainda posso chamar de borracha. Ou, ao menos, apelidar...