segunda-feira, 25 de julho de 2011

Sábado com cara de domingo.

Levanto-me preguiçosamente, encorajando-me para mais um dia. Questiono meu próprio ser o motivo de todos os dias serem um recomeço e, não uma continuação, ou um fim – Como n’um livro, cuja venda foi temporariamente proibida por conter conteúdos impróprios e esdrúxulos. Palavras certamente desconhecidas e estranhas, manias irrevogáveis, uma trilha sonora macabra e personagens assombrosos. É disso que minha vida se trata. Inúteis, porém, fortes conjuntos de frases escritas a lápis e, ainda assim, repletos de erros e borrões.
Vejo fotos, relembro fatos. Dirijo meus sonolentos olhos castanho-claros para o céu, ele está imundo e acinzentado. Forma e deforma abstrato, porém, reconhecível desenho como se fosse quebra-cabeça, encaixando-se perfeita e ironicamente neste emaranhado de palavras que aqui redijo.
Esta música. Esta canção. Esta melodia. Já posso começar a te odiar antes que seja tarde demais, eu suponho. Caso contrário, toda a raiva será pouca. Acredite.
Olhar para a imensidão deste céu sujo, reparar atenciosamente nos desenhos que pelas nuvens são formosamente formados. Algo que acabara de vibrar levara o encanto e destruíra o esboço do sorriso que estava para aparecer em meus lábios vermelhos e um tanto machucados. Sorriso! Sorriso mesmo. Não apenas mostrar os dentes.
Dois dias atrás se passou um ano e, por alguns segundos – um tanto demorados, eu diria, desejei que tivesse passado um dia, ao invés de um ano.
Há quando tempo eu estive presa neste pesadelo? Perdi-me em todas as minhas tentativas de despertar. Findando sempre embrulhada em meu edredom azul com detalhes brancos, com a cabeça sendo cuidadosamente esmagada por meus dois travesseiros, sendo – sem pressa, sufocada. E, de forma terrivelmente assustadora, permitindo isso.
Isso não deveria ser tão complicado. Não, mesmo. Somos autores disso que chamamos de vida, somos nós que decidimos o rumo o qual ela vai tomar. Os personagens principais, além de mim. Mas, devo deixar o orgulho n’uma das gavetas em mim existentes e, enfim confessar, que anda sendo uma tarefa um tanto difícil escolher os componentes dessa história. Desse enigma, que nem ao menos eu sou capaz de desvendar. Quem dirá os outros.
Minha retina, antes cansada encontra-se úmida. Será possível! Meus olhos lacrimejam e, então os reviro para não deixar que essas malditas lágrimas caíssem e borrassem o que tento redigir aqui. Porque é isso que elas sempre findam por fazer. Cair. Borrar. Transformar em desastrosos borrões, tudo aquilo que costumo guardar em mim. Aqui dentro. Ou melhor, lá dentro. N’um buraco profundo e escuro escondido nas entranhas de meu coração, de meus pulmões, de meu cérebro. Dos principais órgãos vitais, que por sua vez, parecem ter flagelos que os fazem movimentar-se e como nômades, habitar cada sombria parte as quais eu me resumo. Sou incompleta e despedaçada, sou um quebra-cabeça de mil e poucas peças quase impossível de ser montado.
– Sorria garota. Sorria!
Acendam as luzes, pois, eu tenho medo de escuro. Inimigos ocultos resolvem aparecer, enfim, depois de tantos escassos e inconscientes pedidos feitos por mim. Apenas os queria conhecer, pelo que vejo o desejo era recíproco.
A fumaça que sai se transforma visivelmente em faces irreconhecíveis. Todos os rostos parecem estranhos quando não é o teu. Sinto-me vazia – para variar, por não reconhecer tua face. Aliás, por sentir falta, clamar e enlouquecer por algo que nunca, a mim pertenceu.
Apareça! Apareça! Apareça!
Transforme-se naquilo que eu desejo ver. Venha para ficar. Venha e, caso resolveres ir, leve consigo qualquer vestígio de lembranças, lágrimas. E não pense em aterrorizar-me em minhas famosas e adoráveis noites de insônia. Estarei só. Aliás, não tão só. Eu. O papel. Um lápis e uma migalha que eu ainda posso chamar de borracha. Ou, ao menos, apelidar...

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