segunda-feira, 25 de julho de 2011

Try.

Preto; era tudo o que conseguia enxergar. Seus olhos quase cerrados lacrimejavam. Suas mãos suavam frio, seu corpo tremia. De fundo, tocava uma música calma, um tanto triste por sinal. “Onde estou?!” Devia estar perguntando para si mesma naquele momento. A música para e, então era possível ouvir o silêncio, de tão profundo que o mesmo se tornara. Para os lados, a anfitriã assustada olhava e, se remexia e, derrubava suas lágrimas no chão onde estava estendida. Cansada de tentar achar respostas em meio àquela escuridão, aquietou-se. Acompanhando o estridente silêncio que ali estava e, ali permanecia durante longos e irritantes minutos. Uma mão; era tudo que era possível visualizar no canto da janela que fora lentamente aberta. Alguns dedos brancos, tão brancos. Socorro! Coitada. Seus pulmões enchiam-se e esvaziavam-se de ar. Ar... Era tudo o que saia dela, enquanto, a mesma achava que gritava, esperneava, e clamava por ajuda.
“Não tenha medo”, disse uma voz distante e serena vinda de algum lugar, a qual àquela alma estendida no chão, não reconhecera. “Estou aqui para lhe ajudar”, continuou após uma breve pausa.
“Como posso não sentir medo? Como posso sair daqui? Ajude-me... Ajude-me”, sussurrava com uma fanha voz.
“Tu podes sair daí, basta achar forças dentro de si”.
“Forças dentro de mim? Diga-me o que sou. Sou apenas um corpo estendido nesse chão sujo”.
“Tu és muito mais do que pensas. És muito mais do que os outros vêm. Levante!”
Àquela alma estendida; corrompida; perdida em si, procurava tais forças; sem encontra-las. Injuriada, cerrava suas mãos e esmurrava o piso com tanta força que marcara seus dedos, e ela gritava. Gritava! Gritava mesmo, – mas não de dor, e sim, devido aquele sentimento de incapacidade que tomava conta de teu corpo, ferozmente.
Enquanto a mesma esboçava seus sentimentos de raiva, outra voz parecia soar incessantemente ao pé de seu ouvido: “Vai, você não consegue?”.
Eco. Aquela voz ecoava em sua mente, injuriando-a ainda mais. Suas veias eram visivelmente notadas em sua face; saltadas. Um líquido pastoso e vermelho escorria lentamente das mãos que se colidiam com o piso. Outro líquido – que devia ser incolor, mas agora, preto estava devido à maquiagem que a mesma usava; escorria pelo seu rosto. Tal rosto jovial. Tão jovem e, já tão consciente de acontecimentos que para ela, eram inexistentes.
N’um ligeiro salto ela via-se levantar, mas não, dificultosamente ela se levantava, primeiramente apoiava as mãos – as quais latejavam. Depois os joelhos, e assim sucessivamente, até colocar-se de pé. Colocar-se de pé em frente ao teu inimigo; a escuridão. Assustada a moça olhava para todos os lados, sem nada enxergar. E ela, apoiada n’uma das paredes do local, dizia repetidamente: “Apareça! Tire-me daqui. Como faço para sair? Eu consegui levantar!”. A voz inicial, respondia n’um tom de sussurro, parecia tão próximo. Era assombrosa a forma como essas vozes a confundiam, e, ao mesmo tempo a aliviavam.
“Tu conseguistes levantar, garota. Não dê ouvido a quaisquer outra voz que lhe apareça, insignificante elas são. Tu saberás distinguir quais são a teu favor. Agora, sinta-se cega nessa vasta escuridão que estás rodeada, caminhe por entre suas entranhas. Teça teus próprios passos, cuidadosamente. Creio que encontrarás teu caminho e, sentir-se-á glorificada.”
E assim ela o fez. Apenas.

Um comentário:

  1. Apenas?
    Pareceu-me um esforço desmedido!

    Passei por aqui para lhe fazer uma visita!!! Tive muito boas recomendações!!!

    Bjs

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