sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Eu fico assim
O tempo passa e leva tudo aquilo que um dia poderíamos chamar de lembranças. Basta aquela ventania indesejada passar para fechar todas as portas, para acabar com tudo que vivemos. Basta ela chegar para arrancar e sumir com tudo... Com tudo. E agora, sinto-me como uma caixa vazia, largada com a embalagem rasgada, e molhada por ter sido deixada num lugar acessível à chuva. E eu choro, choro por dentro, choro quieta. Isso tudo arranha e machuca. Sinto todos os tipos de sentimentos ao mesmo tempo, na mesma intensidade. Ouço muitos timbres de voz – que deveriam ser inexistentes –, e elas me perturbam. Elas gritam. Ninguém sabe. Ninguém vê. Ninguém sente por mim. E assim que deve ser. Eu guardo as coisas aqui dentro, dentro dessa caixa, que agora está vazia. Eu guardo, eu choro, eu sofro. Eu sofro em silêncio...
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