sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Cinza
Monotonia, angústias, laços de amores já vividos, mas que ainda não se desenlaçaram totalmente ou, o bastante para me fazer sair de tudo isso. Para me fazer sair da mesmice dos dias, do cinza dos dias, do cinza de todos os dias. Eu sei. Você sabe, não é possível pintar o céu, moldar o dia, inventar amores para que possamos ter ao menos um pouco de ânimo para levantar da cama, da minha pobre cama, que tampouco, por sorte, não pode expulsar-me dela. Cinza, cinzas. Cinzas de cigarro são perceptíveis nos cantos, nos cinzeiros, em qualquer lugar. A vontade que sufoca o tédio mortal de todos os dias... Traga-me um cigarro, talvez, um maço de cigarros e um café. Ah, dispense o café, ou não. A não ser que saiba alguma mistura, para que o mesmo não me tire o sono. Cinza, cinzeiro, cinzas... O cinza do dia me enoja. O tédio me sufoca... E o que me resta? O que nos resta? Recolorir o mundo, infelizmente não é possível. Esqueça, apague, morra. Só não antes de trazer o meu cigarro...
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