sábado, 18 de dezembro de 2010
Circos e circenses
Dentre tantas pessoas mascaradas e fantasiadas, não sei quem tu és. Na frente de tantos cenários organizados, não sei onde estou. Inexplicável é não saber explicar o porquê d’eu não me encaixar nessa peça e, não saber qual fantasia usar se sempre minha vida foi feita a base de cenas, as quais eu era apenas uma figurante e você... A personagem principal. Você comandava os fantoches, você enjaulava os pobres e indomáveis leões, você era a vilã do final da história. Era você. Mas... Minutos depois, colocava aquele nariz vermelho, pintava o rosto e ajeitava seus rebeldes cabelos, palhaçada. Você era a palhaça. Em questão de segundo, era capaz de mudar de uma personagem para outra, seja homem ou mulher. Você se adequava a variados cenários. E agora? Agora você me surpreende com teu enorme chapéu preto, com uma varinha da mesma cor sendo levemente segurada por alguns dedos. Bastava sacudi-la para me surpreender novamente, para me fazer muito menos que um figurante. Para fazer-me te aplaudir, com um sorriso nobre nos lábios como se apenas a assistisse, num dia chuvoso sem nada para fazer, sem ter para onde ir. Com uma roupa ligeiramente rasgada e pequena, e um chicote na mão, agora você domava os pobres leões. Entre-olhares eram lançados em minha direção, enquanto sacodia aquele chicote tentador, que me olhava, me chamava. E depois de uma rápida perca de energia, você some. Olho para todos os lados e quando ergo meu olhar, lá está você, naquele fino arame. E se equilibra, e se movimenta com tanto desdém, e o teu ponto de equilíbrio, é o meu olhar. O meu ponto fixo, é você. E como num labirinto, perdi-me em todas as suas tentativas de me ter em cada parte do seu espetáculo. Mal sabe você... Enquanto achavas que era a personagem principal e que eu, era apenas um figurante ou alguém da plateia... Eu era a linha que mantinha os fantoches sob seu controle. Era a jaula que mantinha os leões presos. Era o nariz do palhaço, a cartola. Eu era a mágica que você fazia. Eu surpreendia. Eu era o arame que te mantinha equilibrada, era teu ponto fixo. Eu era você, enquanto você achava que eu não era ninguém... Além de um figurante.
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